25.07 TUDO SOBRE A DIOR

AMIGO E CONFIDENTE

GALERIA

Ele circulava entre os maiores artistas de seu tempo. Siga os passos de Christian Dior antes de se tornar estilista, na época em que convivia com Jean Cocteau, Salvador Dali, Marc Chagall e muitos outros a serem descobertos...

“Como conheci meus amigos? Oriundos de diferentes meios, encontramo-nos por acaso, possivelmente regidos por essas leis misteriosas que Goethe batizou de afinidades eletivas.”,  recorda-se o estilista em suas memórias Christian Dior et moi. “Estávamos simplesmente reunidos entre pintores, escritores, músicos e decoradores, sob a égide de Jean Cocteau e Max Jacobs.”  Na efervescência dos anos vinte, o jovem Christian Dior vivia o instante presente sem saber que estava consolidando laços de amizade inabaláveis com os artistas e intelectuais mais brilhantes do século XX.  

Por intermédio de um amigo holandês, o futuro estilista conheceu o compositor Henri Sauguet. Ao longo das noitadas no apartamento da família Dior, todos tocavam composições musicais e, sentados sobre o tapete numa quase penumbra, expunham seus gostos e suas ideias até tarde da noite. Aos vinte e poucos anos, era o que bastava para selar longas amizades. Logo, outros amigos juntariam-se a eles e o pequeno grupo apelidado por Sauguet de “o Clube” passaria a se reunir no bar Tip Toes, na Rue Tronchet. Entre eles, encontraríamos o poeta Max Jacobs, o ator Marcel Herrand, o escritor René Crevel, o historiador Pierre Gaxotte, o desenhista de moda Jean Ozenne... e, sobretudo, o pintor, ilustrador e decorador Christian Bérard, que Christian Dior conheceu por intermédio de Henri Sauguet e do qual se tornou inseparável. Mais tarde, o amigo, apelidado de “Bébé”, colaboraria regularmente com a Maison de couture. O animado grupo também percorria as galerias de arte e os espetáculos, dentre os quais o Ballets Russos, as peças de teatro do Bouffes du Nord e o circo Médrano para aplaudir os Fratellini. Sem falar do bar mais famoso do pós-guerra: Le Boeuf sur le Toit.  

Sentado num banquinho, Dior, um rapaz generoso, tímido e engraçado, acompanhado de sua trupe, encontrava e contemplava Picasso, Radiguet, Satie, Aragon, Marie Laurencin, Fernand Léger... E, sobretudo, Jean Cocteau, que orquestrava a vanguarda artística e que mais tarde diria a respeito do estilista: “esse nome mágico que mistura ao mesmo tempo Dieu e or”.  Este lugar era propício às discussões ardentes, às meditações, gozações e sobretudo à diversão. Uma vez lançada a Maison de couture, a admiração e a amizade de Dior pelas brilhantes figuras artísticas o levaram a batizar suas criações com nomes de músicos ou de pintores. Para a coleção outono-inverno 1949-1950, alguns vestidos tinham nomes como Picasso, Dali, Braque  e Matisse.  Na estação seguinte, foi a vez dos conjuntos e tailleurs Gabriel Fauré, Haendel, Stravinsky, Mozart, Offenbach  e Liszt  desfilarem nos salões da Avenue Montaigne. Uma homenagem fundada com toda a elegância.    

Saga de verão: Dior e arte, perspectivas – Na época de Monsieur Dior, episódio 3

© Adagp, Paris 2014, Marc Chagall

© Adagp, Paris 2014, Bernard Buffet

Courtesy Fondation Paul Strecker

© Henry Sauguet, Partition Miss Dior

© Christian Dior

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